sexta-feira, 5 de março de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (4)

Choro Guarani - 1942-1952
Alvinópolis - MG

Dr. Cesário Alvim foi governador do Estado de Minas Gerais e, do seu nome saiu a cidade: Alvinópolis.
Pouco mais de 15.000 habitantes que vivem num território fazendo fronteira com várias outras cidades, entre elas Mariana e Santa Bárbara.
Alvinópolis, hoje, guarda na memória o Choro Guarani, um grupo musical que, entre outros, tinha o saudoso Darcy Carvalho e o Micaré, respectivamente o pai e o tio de Marina Carvalho.
O Choro Guarani foi criado sob a inspiração da vida e obra de Carlos Gomes e existiu de de 1942 a 1952. Foram apenas 10 anos.
Ficam deste curto período várias lições importantes. A primeira é que se não houvesse um Conservatório e se não houvesse uma bolsa de estudos para o melhor aluno da escola, como aconteceu com Carlos Gomes na segunda década do século 19, não existiria um grupo musical inspirado naquela tragetória em meados do século 20 e hoje, já no século 21, não estariamos relembrando este episódio.

Não é interessante refletir um pouco sobre isto?
Nós criadores, produtores, pensadores precisamos criar mecanismos para sensibilizar pessoas e demonstrar que o desenvolvimento se dá na medida em que conseguimos entender pequenas histórias e a partir delas encontrar soluções para o futuro.
Na cidade de Alvinópolis funciona a Casa de Cultura e fica aqui a sugestão para que a comunidade se una e recomponha o grupo. Música e memória andam juntas e ambas são fundamentais para que se reconheça a identidade de um povo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (3)

Igreja Matriz de Sant'ana
Carlos Gomes - Rio Grande do Sul - Brasil


Os Babinski, Stodulski, Osowski, Stawinski, Grzybowski, Wosinski, Sztormowski e várias outras familias polonesas foram as primeiras a ocuparem uma região de pouco mais de 80 km2, por volta de 1907, no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Os primeiros desbravadores dedicaram-se à agricultura. Era natural que o nome da primeira comunidade fosse Sede dos Polacos. Depois Rio do Peixe, Ribeirão do Torto, Nova Polônia. Passa à categoria de Vila como um dos distritos de Erechim e, finalmente, ao se emancipar em 1944, a nova cidade passa a se chamar Carlos Gomes, uma homenagem ao compositor e uma referência à banda de música de mesmo nome, uma das marcas de qualidade e paixão da comunidade.

Se você quiser saber mais, visite o site oficial da cidade http://www.carlosgomes.rs.cnm.org.br/ enquanto não marca um passeio ao Rio Grande do Sul.

A cidade de Carlos Gomes me foi apresentada pelo Maurício Chiavatta em contribuição para o blog.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dilemas contemporâneos da Cultura (1)

foto por Sérgio Righini

Não é de hoje a preocupação de como promover a produção cultural de forma sustentável e isto ganha contornos de urgência como se as necessidades atropelassem os fatos, tornando inevitável o ajuste dos processos de gestão. É hora da eficiência e eficácia.

No passado recente chegou-se à chamada Lei Rouanet com um tripé fazendo todo o sentido se a prática tivesse favorecido sua implantação. O sistema híbrido com o Estado desenvolvendo políticas com o Fundo Nacional de Cultura, o mecenato atrelado à renúncia fiscal e o empreendedorismo ativado por mecanismos acionários, parecia ser a solução mais adequada, não se deixando de lado os empréstimos bancários a juros subsidiados e variações. As questões econômicas do período inicial impediram que o sistema avançasse desta maneira e ainda hoje não temos uma solução satisfatória colocada em prática.

O dilema permanece portanto. Como produzir Cultura atuando em equilibrio com as demandas políticas do Estado e da Sociedade, modificando o caráter tutelar e ao mesmo ampliando os níveis de inclusão para a Cultura e na Cultura? Qual será o modelo adequado, consideradas as experiências nacionais e as práticas internacionais?

Não há dúvida que os Fundos Nacionais são necessários para estimular repostas às demandas do processo de formação e da franquia de direitos. É também certa a necessidade de uma participação maior das empresas e a compreensão do caráter estratégico de se produzir cultura de qualidade uma vez que isto se reverte para o próprio mercado na medida em que favorece o desenvolvimento humano, aperfeiçoa os sistemas de consumo. Nesta mesma linha, é importante a ação cinérgica do Estado com a concessão de incentivos escalonados, tendo em vista a própria rede produtiva da Cultura, a participação das atividades criativas no PIB, entre outros aspectos. Finalmente, as fontes regulares de financiamento e o desenvolvimento de canais consistentes e alternativos de obtenção de recursos (supressão ou garantias alternativas nos empréstimos, seguros, modelos compensatórios de negócios etc.).
Resta ainda uma questão operacional complexa, consideradas as dimensões e peculiaridades do território nacional, as desigualdades entre os Estados (de carater econômico, de infraestrutura instalada, de recursos humanos e mesmo da compreensão da amplitude do problema) e os perfis multiplos entre os Municipios.
De um lado a própria Sociedade exige maior participação, transparência pública, reformas e melhorias dos sistemas de políticas Educacionais, Sociais, Ambientais e de Cultura e de outro a Produção Cultural reivindica justo reconhecimento face aos crescentes entendimento e constatação de sua dimensão econômica.

Estas demandas são específicas e afetarão em maior ou menor teor a condução das políticas públicas a partir dos municipios, sendo necessários mecanismos urgentes de adequação sob o risco de não se construir as bases sólidas que o país e o bom senso exigem.

Na maneira como os Municipios se prepararão e se articularão com os Estados está a o selo estratégico de bons resultados futuros. Cabe aos Estados desenvolver programas que universalizem e estimulem o Desenvolvimento Cultural sendo a força motriz e integradora dos Municipios no processo. Estes por sua vez, precisam fazer a lição de casa.

Voltarei ao tema.

terça-feira, 2 de março de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (2)

Relógio Patek Phillipe pertencente
ao Maestro Carlos Gomes
Nesta semana o canal Globo News exibiu um programa especial sobre o compositor Carlos Gomes. Apesar da pesquisa e captura de imagens em várias locações no Brasil e na Itália, infelizmente a abordagem se manteve numa tristeza de fazer dó, como se Gomes tivesse vivido em desgraça todo o tempo. Ora, Carlos Gomes saiu do Brasil em 1863 e viveu 33 anos na Itália e, seguramente, não foi em regime de mendicância. Teve as dificuldades de um homem do seu tempo. Foi criativo, viril, reconhecido e deve ser lembrado principalmente pela qualidade de sua obra que incluiu operas, cantatas, missas e mais de uma centena de canções e modinhas. O mais é uma inversão de valores.

Mas vamos ao Mapa.

O Rio Grande do Norte é um belissimo Estado Brasileiro. Sua capital, Natal, possui vários municípios vizinhos e entre eles São Gonçalo do Amarante. A população de São Gonçalo é tão religiosa que a cidade possui 42 santos padroeiros.

A Rua Carlos Gomes em São Gonçalo do Amarante possui 10 quadras bem traçadas ao lado da BR 101. E está lá como uma memória permanente do autor de Uma paixão amorosa, sua primeira composição para piano.

Em breve falarei sobre o "Choro Guarani", em material inédito que me manda Mariana, de Alvinópolis-MG.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Nota de Rodapé (1)

CARMEN
espetáculo baseado na ópera homonima de G. Bizet
Santos - Janeiro de 2010


Está em curso a análise do Sistema Único de Cultura, uma proposta de emenda à Constituição que prêve um sistema de compartilhado de gestão da atividade cultural no Brasil.

Veja as propostas e acompanhe a movimentação na Câmara dos Deputados em Brasília através do site http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/145273-COMISSAO-DO-SISTEMA-NACIONAL-DE-CULTURA-DEFINIRA-PLANO-DE-TRABALHO.html . Nele você encontrará os detalhes da PEC-416-2005 e todo o seu andamento até aqui.

Esta é mais uma questão polêmica que envolve a participação conjunta do Ministério da Cultura e os organismos correspondentes nos Estados e Municipios.

O fato positivo é que estão sendo discutidas ações que poderão ser estruturantes para o investimento e criação de fontes de financiamento para a produção cultural.

Não deixe de ver.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Direitos e inclusão em debate.

Eleanor Roosevelt e cópia da Carta.
Direitos Humanos - 1948



"Os Direitos do homem e as liberdades fundamentais são um direito adquirido pela pessoa humana; a sua protecção e promoção constitui a primeira responsabilidade dos Governos".

Temos urgência no entendimento destas questões, principalmente no que se refere à inclusão cultural no Brasil.

A meu ver a grande oportunidade de debate e ação que se estabelece está no equilibrio entre os canais clássicos de inclusão e os novos canais decorrentes de uma maior percepção do espectro dos direitos principalmente culturais.

Se os canais clássicos - os sistemas públicos (de transporte, saúde, moradia, segurança, seguridade social e, entre outros, também educação e cultura) - deram conta até aqui em determinados limites, serão as novas possibilidades que garantirão a ratificação plena da cidadania.

Os novos canais referem-se à ação a partir de politicas economicas, sociais, culturais e ambientais, com maior controle social, seja sobre o "mercado", seja sobre o próprio Estado. Isto é inevitável em condições normais e republicanas, referenciando-se como processo natural de desenvolvimento social.

É perceptível no Brasil uma espécie de nova ordem econômica em que indivíduos passam a ter maior acesso a receita e renda, ampliando de forma ainda inquantificável as perspectivas de consumo em vários níveis, inclusive, e principalmente, de bens culturais.

Os investimentos em Educação e as decorrências são irreversíveis. Não dá para sequer imaginar o inverso e me recuso a sequer cogitar outras hipóteses.

O Brasil terá uma população melhor educada e com maior capacidade financeira de acesso aos bens culturais, buscando, como é de se esperar, ampliar seus horizontes através de maior leitura, do consumo de cultura erudita, das artes.

O entendimento de como será o novo sistema de políticas sociais e culturais, de que maneira deverá o Estado (nos âmbitos Federal, Estadual e, principalmente, Municipal) se organizar e rever seus sistemas burocráticos e de valores é a nova agenda.

O novo dilema contemporâneo extrapola a extensão dos direitos à simples (veja só!) questão econômica como vista até recentemente: o problema se amplia à construção de laços sociais, da responsabilidade das empresas (futuro em risco!), da multidisciplinaridade no âmbito da gestão pública, da democratização e transparência do acesso à informação.

Os municipios, e a partir deles, precisam se organizar com urgência. Esta visão estratégica será necessária para a sobrevivência dos gestores atuais. Lembremos que o processo é irreversível. Sempre haverá novas lideranças em gestação com novos parâmetros e a própria sociedade se alimentará neste processo. Portanto, o mais saudável é que se busque o aperfeiçoamento conjunto.

É fundamental que se tomem medidas para reversão das desigualdades e este processo se dará pela compreensão dos direitos e pela ação na busca de soluções que permitam uma maior integração das políticas públicas nas areas de convergência.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sistemas de valores às avessas!

Le tricheur a L'as de carreau
Georges de la Tour


Sem exagêros, alguma coisa está errada além daquelas que já estão muito erradas.

Vamos lá. O que me interessa - e a você leitor - o que acontece com a vida privada de um famoso jogador de golfe? Não é esquisito ver uma intimidade que não nos diz respeito exposta a outras milhares de pessoas em todo o mundo "sob o patrocínio" da marca que empresta milhões de dólares ao esporte? Parece haver aí uma demonstração descomunal de forças e uma submissão desumana.

Não me venham com teorias de marketing para explicar o processo todo, pois as conheço muito bem e de cabo a rabo. Não me interessa, mas um olhar mais aprofundado, em outros tempos, concluiria que isto empresta mais valores negativos do que o inverso.

Da mesma maneira, acreditar em excesso de divulgação de doações humanitárias tem o mesmo peso quando se imagina um velhinho de barbas brancas, de roupinhas vermelhas descendo pela chaminé. Traduzindo: acho muito estranho celebridades internacionais em festejos de Momo, se meterem a divulgar que estão arrecandado ou doando fundos para instituições. Desconfio destas coisas, pois vejo valores na doação anônima ou no mecenas que não manda a fatura.

Não é um absurdo torcidas* organizarem brigas de rua com toda a sorte de violência, num momento em que o mundo inteligente pede paz? Ou um jogador (por acaso brasileiro) ser ameaçado de morte porque mudou de time na Sérvia? Não dá.

A Áurea, que me escreveu sobre este tema, e você, leitor, poderão, sem dúvida, levantar mais uma tonelada de exemplos na história recente.

No que nos diz respeito, precisamos ter consciência de que vivemos uma batalha dificílima contra valores que pouco a pouco criam forma, misturam-se devagar com nossos cabelos, pensamentos e, quando nos damos conta, resultam numa massa alienígena nos engolindo pelas tripas.

Se a imagem acima é digna de um filme de terror B, nossa reação a isto precisa estar em outro patamar.

Temos que usar a unica ferramenta de que dispomos: nossa capacidade de pensar e dissernir sobre o que nos interessa e que legado pretendemos para nossos descendentes.

Só há saida pela educação e cultura. Precisamos de união em torno de idéias e valores éticos. Devemos enfáticamente negar a decadência. Só devem nos interessar o respeito, a confiança, a qualidade, a lealdade, o diálogo, a ética na vida e nos negócios.

De outro jeito precisaremos prestar contas do que bebemos, comemos, como dormimos, como pensamos.

E isto, não interessa.


*este blogueiro sempre torceu para o São Paulo, gostando de ver o Ronaldo nos jogos do Corinthians, os valorosos "meninos" do Grêmio de Porto Alegre, o Cruzeiro em Minas, o Botafogo no Rio. Doravante, não mais torço para time nenhum. Não dá para encarar a mediocridade que cerca o esporte.