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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nota de Rodapé (11)



Acaba de ser aprovado o Plano Nacional de Cultura pelo Congresso. O Plano será agora encaminhado para sanção presidencial e, a partir daí , colocado em prática.

Vale acompanhar a regulamentação e as várias possibilidades que se apresentam nesta nova fase que certamente ainda irá provocar discussões, principalmente no que se refere à aplicação das novas regras da Lei Rouanet.

A expectativa da produção cultural é a maneira concreta como será utilizado o Fundo Nacional de Cultura e o acesso aos recursos disponibilizados, inclusive os critérios de utilização dos recursos  da PEC 150 que prevê a fixação mínima de orçamento da Cultura nos governos Federal, Estaduais e Municipais na ordem de 2,5%, 1,5% e 1% respectivamente.

É um passo importante por trazer uma perspectiva de avanço na atividade cultural, principalmente nas artes eruditas que tiveram atenção em menor escala nos últimos anos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (22)

Nebulosa Rosetta
foto NASA

No post de ontem propus uma indagação a respeito do Trabalho Artístico como um alargamento da finalidade intrínseca da natureza humana e a gestão de Cultura sendo uma questão estrutural de responsabilidade sobre a vida.
Sem os excessos de provocação a que estas afirmações poderiam conduzir, neste contexto o gestor de Cultura é o principal agente modificador do status do cidadão na medida em que favorece a fruição do Trabalho Artístico em todas as esferas.
Dirão os céticos que não é viável propor expectro tão amplo como linha de abordagem na gestão cultural exatamente pela natureza plural da atividade artística.
Claro que não podemos discordar disto. Sejamos razoáveis.
Mas, mesmo na razoabilidade, propor todas as esferas possíveis é diferente de afirmar ser inviável propor todas as esferas.
Conhecida a natureza do Trabalho Artístico e reconhecido pelo gestor, será a estrutura instalada e as expectativas de conjunto que conduzirão nesta perspectiva.
Isto não significa transferência de responsabilidades. Continua sendo do gestor o encargo de facilitador do acesso aos bens culturais e precisa ser avaliado por isto.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (21)

A criação de Adão - Capela Sistina
Michelangelo Buonarroti - 1511

Tomando como ponto de partida a fundamentação expressa na Encíclica de João Paulo II sobre o Trabalho Humano (Laborem Exercens) "o trabalho constitui uma dimensão fundamental da existência do homem sobre a terra".
A relação entre homem e trabalho se dá como atividade essencial e própria da natureza humana, na medida em que entendermos ser o trabalho uma ação premeditada, planejada, modificadora do meio ambiente, do próprio homem e a favor dele. Como dirão os leitores da Bíblia, está em Genesis 1,28 a determinação "enchei a terra e submetei-a", sendo esta submissão a tal relação modificadora.
O que difere o homem dos animais é a sua perspectiva de opção criativa para realização do seu trabalho.
Cheguei ao mote.
A criatividade é portanto uma questão essencial para o entendimento do trabalho. Os físicos que me perdoem, mas o trabalho aqui admitido é diferente do T (o tau grego) e nada tem a ver diretamente com força e deslocamento.
A dimensão deste "trabalho" é a da essência humana, o que o torna típico do homem e apenas dele.
Ampliamos ainda mais o conceito se nos referirmos ao Trabalho Criativo e, por extensão, ao Trabalho Artístico.
Podemos concluir que o Trabalho Artístico é o alargamento da finalidade intrínseca da natureza humana o que torna a gestão de Cultura uma questão estrutural de responsabilidade sobre a vida.

Voltarei ao tema.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (13)


Amanhã, dia 21 de Abril, Brasília completa 50 anos.
Em depoimento, Juscelino Kubitscheck relatou que a pergunta de um advogado num comício em Jataí o levou a refletir sobre a necessidade constitucional de construir uma nova cidade para abrigar a capital federal e a prometer imediatamente que faria a obra.


Assim, diz a história, nasceu a idéia de fazer Brasília que ganharia o projeto urbanistico de Lúcio Costa sobre um "x" marcado no solo do plano central. Uma cidade em cruz que ganharia as curvas inusitadas de Oscar Niemeyer e mobilizaria milhares de homens e mulheres na sua construção.


Brasília nasceu sob o signo de um olhar central sobre o país onde até hoje as desigualdades ainda são tantas. Se conseguimos reduzir a perspectiva surda da pobreza intolerável e avançamos para o crescimento economico nestes anos de democracia é um grande avanço.
Fica sempre a questão de como transmitir ao jovem a história e permitir-lhe a visão crítica para que possa reconhecer as limitações, qualidades e viabilidades do seu país.


A política é um fiel condutor dos equilibrios. Em Brasília, no Distrito Federal, ou numa pequena cidade do Rio Grande do Norte, um belíssimo Estado. A cidade de Natal tem vários municipios próximos. Entre eles São Gonçalo do Amarante, uma cidade de grande fé religiosa a ponto de ter 42 santos padroeiros.


A assessoria* do Prefeito Municipal manda para o blog a informação de que na esquina da Rua Carlos Gomes com Rua Aurora instalou-se no último final de semana um evento multidisciplinar que envolveu todos os organismos municipais, realizando várias atividades e inclusive oficinas culturais - uma delas que serve de mote para a foto desta semana.


Se por um lado neste evento o prefeito Jaime Calado conseguiu que algumas pessoas pudessem dar adeus à casa de taipa e passem a morar em casas de alvenaria, temos aí, sem dúvida, um grande avanço social, e, de outro, se adultos e crianças, identificam na Rua Carlos Gomes um ponto de aprendizado e entretenimento, ganhamos pessoas mais conscientes de seu papel de cidadãos.

Fica aí o recado e proposta para o Gleydson de Almeida, diretor do Teatro Municipal, não esquecer do compositor, da sua obra, da música erudita, numa cidade tão musical e tão lindamente romanceira com Dona Militana (http://www.saogoncalo.rn.gov.br/cultura_donamilitana.php). Quem sabe dia destes não nasce uma nova ópera brasileira baseada nestes cantos de memória, da nossa memória armorial, desta mistura fantástica de princesas, guerreiros, batalhas que compõem a rica musicalidade nordestina?

*agradecimentos ao Daniel Cabral - Secretário de Comunicação e a seu assessor Ledson França.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (6)

Carlos Gomes

Próximo ao Hospital São Lucas, na cidade de Diadema em São Paulo, na Rua São Jorge, 160, fica o Estopim da Fiel, sede de torcida organizada do Corinthians, onde os torcedores, entre outras coisas, podem compar os ingressos do próximo jogo do "Timão".
E o melhor de tudo isto é que não muito longe dali fica a Rua Carlos Gomes: uma ruazinha pequena, mas que não deixa de ser o registro da homenagem ao compositor.
O que pouca gente sabe, entretanto, está na nota que me enviou o Maurício Chiavatta, de São Paulo.
Segundo consta na história do time de futebol, 13 pessoas sacramentaram a fundação do Sport Corinthians Paulista. Entre elas Miguel Bataglia, um alfaiate de renome à época e o primeiro presidente. Lá no bairro do Bom Retiro, ainda à luz de lampião de gás, o grupo discutiu meia dúzia de nomes para o novo time que surgia. Entre as idéias, passaram por Santos Dumonte , vejam só: Carlos Gomes e até Guarani (o título da ópera mais famosa de Gomes).
Por sugestão de José Ambrósio (um dos 13 fundadores) decidiu-se homenagear o famoso time inglês Corinthian Football Club que excursionava no Brasil. Assim mesmo. Corinthian sem "s". Como a torcida e a imprensa chamavam a equipe de "Corinthian's Team"...
De qualquer modo, por pouco um dos times de futebol mais populares do Brasil não se chamou Carlos Gomes.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (3)

Igreja Matriz de Sant'ana
Carlos Gomes - Rio Grande do Sul - Brasil


Os Babinski, Stodulski, Osowski, Stawinski, Grzybowski, Wosinski, Sztormowski e várias outras familias polonesas foram as primeiras a ocuparem uma região de pouco mais de 80 km2, por volta de 1907, no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Os primeiros desbravadores dedicaram-se à agricultura. Era natural que o nome da primeira comunidade fosse Sede dos Polacos. Depois Rio do Peixe, Ribeirão do Torto, Nova Polônia. Passa à categoria de Vila como um dos distritos de Erechim e, finalmente, ao se emancipar em 1944, a nova cidade passa a se chamar Carlos Gomes, uma homenagem ao compositor e uma referência à banda de música de mesmo nome, uma das marcas de qualidade e paixão da comunidade.

Se você quiser saber mais, visite o site oficial da cidade http://www.carlosgomes.rs.cnm.org.br/ enquanto não marca um passeio ao Rio Grande do Sul.

A cidade de Carlos Gomes me foi apresentada pelo Maurício Chiavatta em contribuição para o blog.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dilemas contemporâneos da Cultura (1)

foto por Sérgio Righini

Não é de hoje a preocupação de como promover a produção cultural de forma sustentável e isto ganha contornos de urgência como se as necessidades atropelassem os fatos, tornando inevitável o ajuste dos processos de gestão. É hora da eficiência e eficácia.

No passado recente chegou-se à chamada Lei Rouanet com um tripé fazendo todo o sentido se a prática tivesse favorecido sua implantação. O sistema híbrido com o Estado desenvolvendo políticas com o Fundo Nacional de Cultura, o mecenato atrelado à renúncia fiscal e o empreendedorismo ativado por mecanismos acionários, parecia ser a solução mais adequada, não se deixando de lado os empréstimos bancários a juros subsidiados e variações. As questões econômicas do período inicial impediram que o sistema avançasse desta maneira e ainda hoje não temos uma solução satisfatória colocada em prática.

O dilema permanece portanto. Como produzir Cultura atuando em equilibrio com as demandas políticas do Estado e da Sociedade, modificando o caráter tutelar e ao mesmo ampliando os níveis de inclusão para a Cultura e na Cultura? Qual será o modelo adequado, consideradas as experiências nacionais e as práticas internacionais?

Não há dúvida que os Fundos Nacionais são necessários para estimular repostas às demandas do processo de formação e da franquia de direitos. É também certa a necessidade de uma participação maior das empresas e a compreensão do caráter estratégico de se produzir cultura de qualidade uma vez que isto se reverte para o próprio mercado na medida em que favorece o desenvolvimento humano, aperfeiçoa os sistemas de consumo. Nesta mesma linha, é importante a ação cinérgica do Estado com a concessão de incentivos escalonados, tendo em vista a própria rede produtiva da Cultura, a participação das atividades criativas no PIB, entre outros aspectos. Finalmente, as fontes regulares de financiamento e o desenvolvimento de canais consistentes e alternativos de obtenção de recursos (supressão ou garantias alternativas nos empréstimos, seguros, modelos compensatórios de negócios etc.).
Resta ainda uma questão operacional complexa, consideradas as dimensões e peculiaridades do território nacional, as desigualdades entre os Estados (de carater econômico, de infraestrutura instalada, de recursos humanos e mesmo da compreensão da amplitude do problema) e os perfis multiplos entre os Municipios.
De um lado a própria Sociedade exige maior participação, transparência pública, reformas e melhorias dos sistemas de políticas Educacionais, Sociais, Ambientais e de Cultura e de outro a Produção Cultural reivindica justo reconhecimento face aos crescentes entendimento e constatação de sua dimensão econômica.

Estas demandas são específicas e afetarão em maior ou menor teor a condução das políticas públicas a partir dos municipios, sendo necessários mecanismos urgentes de adequação sob o risco de não se construir as bases sólidas que o país e o bom senso exigem.

Na maneira como os Municipios se prepararão e se articularão com os Estados está a o selo estratégico de bons resultados futuros. Cabe aos Estados desenvolver programas que universalizem e estimulem o Desenvolvimento Cultural sendo a força motriz e integradora dos Municipios no processo. Estes por sua vez, precisam fazer a lição de casa.

Voltarei ao tema.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tudo por um novo pacto civilizatório!

O artigo "Música no Brasil é prisioneira das canções" (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2310200927.htm ) do professor Vladimir Safatle, evidencia a grave condição por que passa a cultura erudita no Brasil.

Os bens culturais - formas de expressão da identidade de um povo e provas de sua humanidade - passaram a ser tratados no domínio das mercadorias e dos estoques, por políticas públicas relativizadas pelos projetos de poder, pela ausência de planejamento e de estratégias de formação.

A audição de uma peça de Reich, Penderecki, de Almeida Prado, ou uma visita a uma exposição numa Pinacoteca, tornaram-se entendidas como experiência de entretenimento, pois esta é a leitura rasa de cultura vigente.

A Cultura erudita deixou de ser um ativo das elites pela mesma lógica mercantil que dita os destinos da comunicação de massas, do acúmulo de bens, da velocidade de projeção pessoal e uma inversão do papeis das lideranças seja nas artes, no pensamento, na política etc. É lamentável que valha mais a forma que o conteúdo, a aceitação dos modelos prontos ao debate pela construção, a resenha à investigação e observação pessoal.

É necessário um novo pacto com urgência. Nós, geração que escreve, lê, pensa, decide, precisamos ter consciência imediata da obrigatoriedade de se pactuar um novo futuro. Perdemos muito nos últimos anos pela inércia com que a atividade cultural vem sendo tratada e isto precisa ser corrigido e se transformar numa espécie de agenda civilizatória.

A constatação de Gilberto Mendes de que "a música erudita de nosso tempo não existe para a classe culta brasileira" é reflexo deste distanciamento das elites intelectuais que têm o relevante papel de pensar, formular propostas e cobrar resultados de governos, entidades e de empresas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mein Herz freuet sich, dass Du so gerne hillfst, ich will dem Herrn singen, dass er so wohl an mir gethan.

ridesenho de Klara Kaiser Mori para capa de " O Cigano Visionário"

O poderoso Salmo XIII, do Rei David, nos dá a dimensão dos nossos anseios em busca da beleza, da bondade e da verdade.

"Meu coração se alegra pois Tu vieste em meu socorro,
cantarei ao Senhor
pelo bem que ele me fez".

Assim seguimos com a esperança renovada de que teremos possibilidades de realização e convivência com qualidade, com ética, com respeito. Qual motivação para construir senão a certeza de que no extremo teremos um ser humano renovado?

Em Junho de 1855, Franz Liszt escreve a Agnes Street-Kindworth dizendo que decidira musicar o Salmo XIII.
Por nos dar esta possibilidade de reflexão, pode-se dizer que Lauro Machado Coelho é o arauto de um novo tempo.

É com ele que temos organizada a história da ópera em edições obrigatórias para qualquer um que queira conhecer além das fronteiras do que lhe é oferecido pelos caminhos óbvios.
E depois de lançar a biografia da poetisa russa Anna Akhmatova, finalista do prêmio Jabuti deste ano, não é que o Lauro concluiu a biografia de Franz Liszt, com mais dois lançamentos previstos até março, pela mesma Editora Algol?
Franz Liszt tem noite de estréia hoje, dia 14 de Outubro de 2009, na Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, em São Paulo, às 19 horas.

"O Cigano Visionário" é para se ler e reler em duas ou três sentadas (são 500 páginas de texto delicioso).

Franz Lizt foi uma mistura de malabarista e profeta na citação do próprio Lauro, ou "ao mesmo tempo cigano e franciscano" nas palavras do próprio compositor.

Lauro à sua maneira também reune estas características ao prenunciar um tempo em que a cultura erudita está em livros, em discos, no Pensamento, nos discursos, na agenda coletiva.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Não há nada mais antigo...

... do que cowboy que dá 100 tiros de uma vez...

Minha geração nasceu da mídia - com a mídia de massa - embalada pelos 100 tiros do cowboy do Nelsinho Motta e Marcos Valle. De fato não assistia ao programa de televisão que tocava este tema de abertura, mas não há ninguém da minha idade que não se lembre da música e, claro, do tal cowboy atirador com seu cavalo invariavelmente branco, preto de crinas longas e brilhantes.

Não consigo tirar da cabeça a frase do Paul Valèry cunhada no final do século XIX: o problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser.

Sem apelar para o saudosismo fora de hora, os olhares mais atentos percebem que alguma coisa mudou há pouquíssimo tempo e nós - antenados blogotas e adultos com macacos no sótão - não estamos mais claramente posicionados sobre os novos rumos.

Não é como costumava ser.

Tenho invocado todos os oráculos e, ao que parece, tudo sinaliza para uma nova realidade distante do que projetávamos nos anos 70.

Entre o comunista que comia criancinha e a mídia como máquina controlável como querem alguns hoje, há um processo perverso e nivelador em távola rasa que modificou as demandas populares para pior. Não dá para atribuir ao gosto do povo esta ou aquela escolha. Também não sejamos ingênuos ao imaginar que o povo é uma figura manipulável o tempo todo. Não se trata de um filme em que nós, os documentaristas, do alto da grua, olhamos longe e vemos "O Povo".

Não é isto. É uma questão mais complexa. Quem nunca comeu jiló e só ouviu dizer que é ruim e amargo, jamais provará a iguaria. Se não lhe foi oferecido regularmente, o prazer desta degustação jamais acontecerá. No seu túmulo estará escrito: Aqui jaz quem nunca comeu jiló. Foi infeliz e não sabia.

Está certo: dirão que é cultural. Não tratemos pois da cultura do jiló, nem da cultura de comer jiló. Mas da Cultura segundo os jilós. Homens e mulheres amargos como o fruto, mas saborosos e apreciáveis.

Ah, sim: para quem não sabe, jiló é fruta.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A solução no Petróleo? Ora, faça-me o favor...

Hoje noticia-se na Folha de São Paulo ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1109200915.htm) que o Ministério da Cultura conseguiu 1% do petróleo do pré-sal para a Cultura o que pode significar até 10 vezes mais o orçamento atual. Não há dúvida que deveríamos comemorar isto, não fosse lastimável o estado de abandono da música erudita e da ópera.

Não vou entrar no mérito de como andam estas áreas, porque teremos muito espaço aqui para isto. Apenas registro, como primeira nota neste primeiro blog, a sensação de vazio que tenho quando ouço falar de pré-sal. É provável que eu esteja enganado. Espero estar enganado. Mas não deixo de pensar que esta história é uma balela e uma inversão de valores. Quando todos sabemos que o que interessa para as pessoas e para o planeta é a busca de uma matriz energética limpa, verde ou nome que o valha, falar em petróleo, com investimento de alto risco e resultado idem, me parece uma posição tão frágil que sequer arriscaria qualquer palavra de elogio.

Há dois anos em Paris, andei num táxi movido a energia elétrica. Há dois anos. Confesso que não entendo porque não se investe este montão de dinheiro na pesquisa de novas fontes e se aplica desde já parte dos recursos existentes na produção cultural. Quando se fala no Brasil em desenvolvimento, crescimento, melhoria da economia, imediatamente investe-se na produção com subsídios, redução de impostos etc. Menos na produção cultural que tanto pode gerar recursos, empregos, desenvolvimento, conhecimento, saber.

Lamento constatar, mas o modelo que aí está não interessa ao Brasil. Não interessa aos Brasileiros. A Cultura é a nossa fonte de riqueza, é o que pode eliminar o que existe de miséria no país, é o que pode gerar recursos de curtíssimo prazo. Não é uma aventura, nem anda na contramão do que se espera de qualidade para o planeta.