Mostrando postagens com marcador compositor cultura desenvolvimento economia da cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador compositor cultura desenvolvimento economia da cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (53)

Tango 

Não vamos nos lastimar pelo fato de amarmos o tango* (quem odeia, pule para a frase seguinte) e não sabermos qual é o mais novo grupo dedicado ao gênero.

Temos a lastimar a ausência de programas que promovam a circulação de bens culturais para o exterior, bem como mecanismos que facilitem o acesso a intercâmbio, participação em exposições, bolsas de negócios entre outros.

Em algumas áreas da Cultura já se instala o reconhecimento destas necessidades, mas ainda vivemos uma utopia nesta direção. Nos Estados e Municípios, dando um crédito para iniciativas isoladas como os bureaux de cinema, ou um e outro programa, o resultado tangencia o zero.  

O Brasil é, quando muito, receptor de algumas iniciativas e, estas, desde que venham de bem longe da Latin America. Nossa consciência dos vizinhos é restrita quase que somente aos torneios de futebol, mesmo assim vendo os países próximos como adversários.

Há quem advogue no seio da cultura brasileira – esta me parece ser a linguagem apropriada mais retrógrada – que não se deve ter no Brasil qualquer tipo de financiamento (incentivo, investimento direto) para “conteúdos estrangeiros”. Da mesma maneira, há pouco tempo, instalou-se um programa num determinado município em que “só se apoiaria produção de filmes com conteúdo, locações e artistas locais”. Não cito as fontes porque nenhuma das duas merece sequer citação.

O fato é que escudado por aquela idiotice, o aloprado acha que conteúdo estrangeiro é um crime de lesa-pátria e, com este raciocínio de barril de cerveja, esquece que com uma medida destas, não se pode financiar encenação de nenhum texto teatral de autor estrangeiro, ou ter patrocínio para nenhuma orquestra executar Bach, Beethoven, Philip Glass, Paul Mcartney, ou para exposição de Rodin etc.

O outro, motivado sei lá por que desvio, imagina que cercear a liberdade de criar é parte das funções do gestor de cultura. Na sua pequena célula que insiste em chamar de cérebro, nenhum cineasta de sua cidade, com apoio público, poderia fazer um filme com locações na cidade vizinha, ou atores de outro estado, ou diretor estrangeiro.

Há quem se preocupe com extraterrestres – conheço uma pessoa que treme de pavor ante a hipótese de se encontrar com um. No entanto, devemos nos preocupar com estes terrestres que menciono acima. Desculpado o trocadilho, fique atento: há uma mudança em curso, mas tem muita gente puxando a corda contra. 


*Desde Outubro de 2009 o tango passa a ser Patrimônio Imaterial da Humanidade. A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), tomada durante uma convenção em Abu Dhabi, garante a proteção deste tipo de música e dança.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (50)

Banco Revisteiro da Pino*
designed by Grão

Recebi algumas ligações telefônicas sobre o "Dilemas nº49", o do Barretão, como dizem. Há certa unanimidade quanto à falta de elegância e cortesia com que foi tratado o tema pelo ilustre, como o chamo. Assim o qualifico porque sua presença marcante é característica no cinema brasileiro. 


Barretão pesou a mão. Respeitado seu direito à opinião fica a sensação de que era desnecessário este movimento do ilustre, a menos que outros interesses norteiem sua conduta. 


Imaginando que se trata apenas de opinião, o conteúdo é truculento, grosseiro e distante do debate. Se estivéssemos todos numa sala em que se discutisse rumos desta ou daquela política é aceitável que ânimos se exaltem aqui e ali. É até saudável que isto aconteça, sendo parte admissível nos debates acalorados. Mas, não. 


Ali foi um excesso incompreensível e sugere apontar para outro dilema contemporâneo: a truculência.


Certos temperamentos são inaceitáveis e a truculência precisa ser tratada como doença. É compreensível que as pessoas "estourem" em determinadas situações, mas o estilo "prendo e arrebento" de triste memória é uma aberração de convívio.


Todos nós da Cultura lembramos de casos em que alguém passou do limite (eu mesmo já tive num passado bem remoto, felizmente, um ou outro deslize desta natureza que alguns anos de análise facilmente colocaram no devido lugar). Conhecemos também algumas figuras cujo histórico é de contínuo desequilibro. Quem nunca ouviu falar do regente grosseirão... Ok. Não preciso dizer mais nada, pois todos têm na ponta da língua, uma meia dúzia de estúpidos em ordem decrescente de grandeza.  Diretores, cantores, produtores, secretários de cultura, sem exceção, todas as categorias são privilegiadas - e isto é uma ironia - por estas figuras inexplicáveis. 


Recentemente, um conhecido, sujeitinho bem ordinário, me fez várias ameaças porque ousei achar um seu projeto irresponsável artísticamente e medíocre. E olhe que não me proponho a fazer crítica da arte, ou coisa parecida, tendo apenas emitido minha opinião à época (não altero uma palavra do que disse e estou em condições de acrescer algumas vírgulas). Claro que não me refiro ao sujeitinho por causa do seu tamanho (nada tenho contra baixinhos barrigudinhos, já que não levo em conta as pessoas por suas características físicas). O sujeitinho do texto é a referência à pequenez das suas intenções e a correlação inversa da sua medíocre truculência. 


Pois bem, antes que digam que este post foi colocado para "passar recados" - o que seria uma prática truculenta - faço um habeas corpus preventivo** ressaltando que o objetivo é levantar mais um dilema: aquele  que ainda não nos indicou uma maneira de rejeitar estes corpos estranhos na arte.


A fala do Barretão pelo menos serviu para algumas coisas: para refletir sobre estes comportamentos, para lembrar que é da natureza dos cargos políticos a substituição de pessoas, mas sobretudo reforçar a idéia de que - como no caso do Ministério da Cultura - é preciso manter as conquistas e as formas de diálogo e transparência que as viabilizam. 


* Se você não entendeu o porque da foto, dê uma olhada no Dilemas nº 49
**em lembrança ao Marcos e Gabriel 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (44)


Na pág 68 da edição impressa da Revista Veja desta semana publica-se a relação dos Ministérios e os partidos da base aliada que os "controlam" e aqueles que "cobiçam" mudanças nos seus comandos. 


O Ministério da Cultura não participa do "bolo". 


No mais puro estilo Poliana, os sapos da lagoa abririam o bocão e diriam "Obaaaaaa... O Ministério da Cultura é livre de interesses partidários, estruturas de poder, uso da máquina, interesses financeiros...".


Infelizmente, administrar a Cultura não é do interesse dos partidos e as manifestações a favor são pontuais, por interesse deste ou daquele político que enxerga na atividade algum tipo de afinidade.


Apesar da abrangência, do significado social, da importância para o futuro o abandono político da Cultura ainda persiste e não despertou a voracidade e imediatismo dos partidos. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Carlos Gomes no Mapa do Brasil (28)



Nascido Cearense por herança, Catulo da Paixão Cearense foi dado à luz por sua mãe Maria Celestina Braga em São Luiz do Maranhão. Maria Celestina também era de lá e seu pai, nascido no Ceará, chamava-se Amâncio José Paixão Cearense. Catulo morreu no Rio de Janeiro, em 1946.


Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa...


Flor amorosa é composição sua e de Joaquim Calado. Luar do Sertão em parceria com João Pernambuco é das brasileiras a mais música e o texto inverso também é verdadeiro. 


Nossa cultura tão diversa une tudo e todos de maneira muito singular. Em São Luiz onde nasceu Catulo, a rua que leva seu nome é seguida em paralelo pela Rua Carlos Gomes. 
Da mesma maneira em Campinas, onde Carlos Gomes segue firme ao lado de outras ruas de nomes ilustres.


A cada pesquisa, sempre uma surpresa. E não é que em Várzea Grande no Mato Grosso do Sul, tem lá uma tal de Travessa Carlos Gomes? E não é que esta Travessa é travessa da Rua com o nome do compositor? Aí está: duas vezes gravados no mapa da mesma Cidade.


Oh, que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão



Tanta luz, tanta terra, tanto Brasil. E a gente não precisa ir tão longe para achar...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (43)



aquarela de Gonçalo Ivo
O post de hoje é uma resposta publicada no site Cultura e Mercado a um comentário do empresário artístico Gil Lopes e outro do compositor Carlos Henrique Machado sobre artigo que publiquei (Cultura e Eleições). No calor do debate político e talvez na tentativa de qualificar seu candidato desqualificando o outro e vice versa (paixões descontroladas e furiosas são incrível desperdício de energia criativa), ambos, com óticas diferentes, dizem que a ópera é uma manifestação de cultura européia, que não interessa à Cultura Brasileira ou coisa parecida. 


Caro Gil
Agradeço a você a oportunidade de lhe contar um pouco sobre ópera e o que é como forma de expressão (de certo modo aproveito para responder em parte ao Carlos Henrique). A culpa não é sua por não ter lhe sido dada a possibilidade de conhecer outras atividades artísticas de maneira mais abrangente e falo isto sem nenhuma pretensão de "superioridade" ou de "maior conhecimento" a respeito disto ou daquilo. Faço esta ressalva, porque, como você certamente, combato todo o caráter pernóstico e arrogante que pode haver em alguns grupos cultores das chamadas artes eruditas. 
Antes de qualquer coisa, vamos localizar a atividade no Brasil. 
A ABPO-Associação Brasileira dos Profissionais de Ópera estima algo entre 5.000 e 6.000 profissionais em atividade no país, sem levar em conta os grupos corais independentes. Estas são pessoas que regularmente participam de trabalhos relacionados ao canto lírico e à produção de espetáculos desta atividade. São membros da ABPO praticamente todos os regentes brasileiros em atividade (na música de concerto e na ópera), salvo uma ou duas exceções, além dos principais diretores cênicos, cenógrafos, técnicos, figurinistas, pianistas, cantores solistas e coralistas entre outros. 
A maioria dos profissionais citados têm curso superior, tendo se dedicado pelo menos 8 anos de estudo específico para atingir graus de excelência. 
Há um forte preconceito contra a ópera por desconhecimento do que se trata. Em primeiro lugar, a ópera é um gênero de formação por excelência, haja visto que um maquinista formado para a ópera pode atuar em qualquer outra atividade das artes cênicas. O mesmo acontece com iluminadores, cenógrafos, cenotécnicos, pintores, escultores, marceneiros, figurinistas, aderecistas, técnicos em efeitos especiais, camareiras, maquiadores, caracterizadores, coreógrafos, bailarinos, músicos de orquestra, pianistas, regentes, diretores de palco entre outros. 
Por se tratar de uma atividade artistica que se vale de todas as demais formas de expressão, e dado seu grau de complexidade regularmente envolvendo em torno de 300 proffssionais diretos para sua realização, é natural que a ópera tenha muito a contribuir para todas as demais artes. Por questões estruturais o inverso nem sempre é verdadeiro, já que a linguagem do espetáculo teatral de ópera possui especificidades e tem exigências muito complexas, a começar de uma partitura com algo em torno de 2 horas de música, envolvendo uma orquestra inteira, linhas de canto distribuidas para inúmeras vozes, entre outras "pegadinhas" digamos assim. 
Muito embora se defina que a ópera começa na Itália no século XVII, suas origens remetem ao teatro grego, chegando inclusive à idade média com representações sacras cantadas nas igrejas. Aqui no Brasil tivemos e temos vários nomes importantes para a ópera. Se a história nos deixou Carlos Gomes, nossos contemporâneos como Ronaldo Miranda e André Mehmari (somente para ficar com os dois) só não produzem mais porque não têm estímulo para isto. 
A ópera é um espetáculo de narrativa do comportamento humano, comédia ou tragédia, não importa, mas narrativa da maneira como somos, como vemos nossas questões sociopoliticas. Em síntese, é um espetáculo de teatro musical ao vivo cuja narrativa se vale de todas as possibilidades técnicas e artísticas conhecidas para se concretizar. 
Dizer que ópera é dominação cultural ou estética européia é uma bobagem sem tamanho tão grande quanto dizer, enquanto se lambuza de molho de macarronada numa cantina italiana, que o jazz e dança contemporânea são fruto do imperialismo americano. Este raciocínio canhestro leva alguns agentes culturais a acharem que texto de dramaturgo francês não pode ser encenado, ou livro de escritor australiano é aborígene. Vamos lá, nossa cultura é o resultado descontrolado de todas estas influências, ou o Brasil aprendeu o chorinho sem qualquer informação estrangeira? 






A capoeira nasceu aqui,sem nenhuma influência africana? O que são as festa do Divino? E a música gaucha? Não há nenhuma influência mexicana na música goiana? E a música armorial nordestina? O Brasil é mesmo um país recheado de principes e princesas? Não ficou nada dos holandeses no Recife? Nossos pintores ou escultores nada devem a Rembrant, Matisse, Kandisnky, Modigliani? E os nossos estudantes de música quando vão para a escola usam que métodos? 

Não gosto de rótulos e gavetas na Cultura. Nem desta coisa meio piegas (meio intelectual de boteco) de olhar o Brasil sob a ótica da escola de samba, da avenida, do povo dançando na rua, abraçados, último pierrot e colombina a cantar suas tristezas e alegrias... Isto é bucolismo oportunista e sátira de uma realidade mal desenhada em que o povo - o tal povo - tem a necessidade de uma catarse que só se dá na avenida e no carnaval. 
Ora, vamos lá... Pensemos de maneira universal e equanime. Prefiro sonhar com o povo tendo alternativas de escolha, com acesso facilitado ao teatro, cinema, ópera, dança, exposições, livros, fotografia e outras perspectivas tão satisfatórias quanto Os Filhos de Gandhi ser for esta sua o p ç ã o. 
Esta é uma questão importante. Ao individuo sem alfabetizaçao para a arte não lhe sobra alternativa senão aquela que está à mão. 
Explico. 
Nosso problema mais grave é a falta de políticas públicas que favoreçam a alfabetização para as artes. Traduzindo, é preciso que as pessoas aprendam a ler os códigos que estão implícitos numa pintura, num espetáculo de dança, de ópera, de carnaval. Não se trata apenas de dizer vi, gostei, não gostei, cantei prá caramba, é tudo colorido, este é mais bonito, este é mais feio. 


Esta é a questão principal no que tenho me proposto a discutir. Não se trata de Dilma ou de Serra, pois esta é uma questão que será decidida nas urnas e sob a batuta da média das expectativas da população brasileira que necessariamente não faz o mesmo juízo que nós - com graus diferentes de alfabetização - fazemos. Trata-se sim do que estamos dispostos a levar como bandeira - digamos - para a Cultura. 

Como artista acompanho o que vem sendo realizado no Brasil na área Federal para a Cultura e, na medida do possível, participado de debates com foco específico na minha principal atividade, apesar da formação ser mais abrangente. Acho que tenho a contribuir para a ópera e precisamos desenvolver o gênero considerado o potencial instalado no país além das considerações já feitas e outras compatíveis. 
Tenho uma relação cordial com o Ministro Juca Ferreira de quem reconheço a tenacidade e capacidade de articulação (aliás já mencionado nesta Cultura & Mercado em artigo anterior). Ele - e o Ministério - reconhecem que nada de relevante ou estruturante foi feito para a àrea da Música Erudita e em particular da Ópera. Não acredito - e não vi nas várias oportunidades e pessoas com quem conversei no MinC, qualquer ranço de descaso ou preconceito com a ópera, ou mesmo a leitura de que se trata uma atividade a ser alijada do cenário artístico. Isto sequer passaria pela cabeça de qualquer dos técnicos que lá estão, acredito.. Há sim um entendimento geral de que é necessário avançar nesta matéria e que se trata de uma atividade com características próprias de assimilação difícil por todas as razões já expostas aqui inclusive. 
Também é preciso compreender que da mesma maneira que o Governo Lula antes de ser Lula/Dilma foi Lula/Zé Dirceu, antes de Juca, o MinC foi Gil. Ou seja, foram oito anos, com gestões diferentes, formas de pensar e maneiras de agir diferentes. O avanço se deu na estrutura do pensamento, na criação das bases para se discutir nossa identidade, um trabalho que está longe de ser concluído e será objeto de mais algumas gestões. Avançamos muito na quantificação da Cultura com as pesquisas realizadas para o Ministério e finalmente temos no Brasil alguns parâmetros numéricos para pensar de maneira articulada com a realidade. Gosto das idéias e do conceito dos pontos de cultura, acho muito importante o que se fez até aqui com a Rede Nacional de Música, por exemplo. Lamento não termos avançado - e perdemos muito tempo com isto - com as formas de financiamento à produção Cultural. Caberá ao novo governante (ou à) resolver isto. 
Insisto, Gil, que devemos pensar o futuro. 
Volto à ópera. Se concordasse com você acerca do que fez o Obama*, estaria tranquilo, pois a maioria dos trabalhos na área da ópera no Brasil são realizados aqui, gerando empregos aqui. Porém, não comungo do conceito "o que é bom para a América, é bom para o Brasil". Isto é reviver o passado. 
Nós brasileiros temos condições de escrever nossa história sozinhos, mas sou radicalmente contra qualquer forma de xenofobia, talvez por viver em São Paulo (sou mineiro) onde não há preconceito de origem. A cultura não pode ser xenófoba e por isto é preciso cautela. 
Acho natural que se tenha incentivo para trazer ao Brasil a Orquestra Sinfônica de Berlim, com financiamento público (seja incentivo, seja fundo de cultura ou outra maneira) desde que as apresentações aconteçam em teatro com ingressos a preços reduzidos, ou incluindo apresentação ao ar livre sem cobrança de ingressos. Da mesma maneira, acho que se pode financiar com dinheiro público uma exposição de obras de determinado artista europeu, de determinado museu, obedecendo lógica semelhante de acesso. Coisas ditas em contrário são para mim conclusões apressadas e desprovidas de conhecimento relativos às necessidades de intercâmbio, de aprendizado etc. É também importante ressaltar que acho imprescindível que artistas brasileiros tenham subsídios (apoio federal com dinheiro público seja através de fundos de cultura, ou práticas de incentivo através de leis específicas) para apresentações no exterior. Também sou a favor (acho imprescindível) que haja convergência entre as artes eruditas e populares. Apesar disto acho que nem o carnaval é ópera popular, nem a ópera é parecida com o carnaval. Ambas são formas de expressão com raízes próprias e independentes. 
Finalmente, Gil, volto ao início do seu texto em que vc diz "me interessa a ópera do Brasil, carnavalesca...". Entendo a sua alegoria e a respeito. Acho até que comungamos disto mais do que você imagina, mas como me aboletei na missão de te contar um pouco o que é ópera - a minha e de milhares de brasileiros, milhões de pessoas no mundo, continuo com o tema, encerrando brevemente para não lhe dar fastio de leitura. 
A ópera conta a magia da natureza humana e está presente na sua vida de tal maneira que se você prestar um pouco mais de atenção em suas atividades corriqueiras verá que é quase impossível pelo menos uma vez por dia ter contato com ela. São inúmeros os filmes, programas de rádio, novelas, programas de tv, comerciais, que utilizam trechos de ópera. É impressionante. Duvido que vc não tenha na infância ouvido o Picapau cantar a ária do Fígaro de O Barbeiro de Sevilha, é impossível você não conhecer a ária do Toreador da Carmen, Nessum Dorma da ópera Turandot, as Valquírias de Vagner no comercial da Cofap ou na trilha do Apocalipse Now, é impossível que vc não tenha ido a um casamento com a Marcha Nupcial da ópera Lohengrin (coitada da noiva! Divórcio na certa por não saber o que a marcha representa.). Quem nunca ouviu a ária da Rainha da Noite da Flauta Mágica? 
A ópera está presente na sua vida de forma indelével, fecunda, levando você e milhões de pessoas a se emocionar sem sequer a oportunidade de pensar a respeito por puro desconhecimento. 
Isto é fruto de um sistema educacional falido, precisando de uma revolucionária modificação que dê aos professores condições de aperfeiçoamento, de remuneração justa por mérito, que amplie as condições de acesso, com a devida base cultural que assegure a informação em níveis qualitativos mais abrangentes. 
Esta tarefa, em minha opinião, precisará ser parte da cartilha do futuro governante (ou da). Existem meios e recursos para isto. Precisamos de técnicos e gestores com visão de futuro, sem o imediatismo da próxima eleição. Como muito bem disse Marina, precisamos de propostas para o futuro e de um plano diretor para isto, uma pauta que não terminará em 4 anos, nem em oito. 
Somos muito jovens para sermos tão velhos com tanto preconceito. Nossa análise e circunstâncias nos levará a escolher alguém dentro de alguns dias, mas o que queremos, como vamos nos postar frente ao governo que vem, de que maneira vamos agir, nos organizarmos para preparar o Brasil é o que de fato deve nos mover agora. 
Sou e continuarei sendo terminantemente contra trocas de acusações, xingamentos, juízos tortos de valor. É fácil chamar este de fascista, aquele de corrupto ou criar novos atributos. Quem bateu e quem apanhou pode ser a mesma pessoa dependendo do interesse de quem narra. Estou fora. 
Sabemos muito bem do que estamos falando e, como vc disse, de onde vem a baixaria no Brasil. Por esta razão, temos que estar preparados para trabalhar, independente da bandeira partidária que eventualmente carregamos. 
Quanto ao café, acho que é uma boa idéia para qualquer dia desses.





(*) no texto Gil Lopes cita que o presidente Obama (EUA) "decretou impedimento ao incentivo fiscal do que não traz emprego ou riqueza dentro do terreno dele, mesmo feito por empresas americanas" (sic). Mais um equívoco da administração Obama que está vivendo seu "inferno" (apanhando da direita, da esquerda e do centro na política americana). 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Carlos Gomes no Mapa do Brasil (27)





Em Diadema tem. Em São Bernardo do Campo também.


Em São Caetano do Sul, Mauá, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuiba, Cubatão e Itaquaquecetuba, cidades do Estado de São Paulo, todas têm. 


Chegando a uma delas, não é difícil localizar a Rua Carlos Gomes. 


Em Diadema, Carlos Gomes orgulha-se da companhia ilustre do Dr. Ulisses Guimarães já que uma de suas pontas se encontra ali. Em São Bernardo é uma das ruas centrais. 


Chegando a São Caetano, você encontrará a Rua Carlos Gomes junto à Av. Presidente Kennedy e não menos bem localizada está nas demais cidades.


Carlos Gomes está em todo o Brasil. Pena que em Borá não tenha AINDA uma rua com o nome do Compositor, mas também temos que levar em conta que a cidade é o menor municipio brasileiro com pouco mais de 800 habitantes e meia dúzia de ruas. 


Quem sabe dia desses, Borá não ganha uma praça com o nome dele?



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Viva a Ópera (6)


Le Moulin de la Galette -
Lautrec

A ópera em São Paulo ainda está caminhando a passos lentos. Promessas viris à frente.

A melhor coisa por enquanto é encontrar os amigos nas estréias e a conversa em torno do espetáculo. É muito bom.

Com a mania de Twitter o texto hoje ficou curtinho. Mas é tarde. Hora de descansar e cuidar da saúde.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Nota de Rodapé (7)


O André Vargas, Secretário de Comunicação do PT, está errado ao acusar o Serra de anticristão por causa da pílula do dia seguinte que ele introduziu na rede pública. Pessoalmente, reiteradas vezes, o Serra já disse ser contra o aborto, mas como homem público não pode deixar de pensar no problema social relativo.

Aborto é uma questão complexa de saúde pública. Da mesma maneira, a educação para prevenção é uma necessidade concreta para a saúde da mulher.

Ser a favor de soluções que preservem a saúde é uma questão de tolerância das circunstâncias individuais que afinal são o que levam a esta ou aquela decisão. O processo democrático é um exercício permanente de convvivência de opiniões contrárias.

Muito embora se diga que a Dilma perdeu votos por ser a favor do aborto é mais provável que tenha sido por apresentar-se com opiniões diferentes sobre o mesmo assunto em tão pouco tempo. Alguém pode ser contra o aborto e a favor de uma lei que preserve a saúde da mulher, uma vez que a questão extrapola as fronteiras da religião. No caso em questão parece ser mais claro que a candidata muda de ideías conforme a necessidade e as circunstâncias o que se tratando de um tema polêmico e grave é fatal.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (41)

da série - O que vi pela TV-1999
Siron Franco

Quem acompanha o blog sabe que de um modo ou de outro sempre venho apontando questões como investimento na Cultura e Sustentabilidade Ambiental como prioridades e desafios econômicos do futuro Brasil (digamos futuro desta maneira, em minúsculas, para garantir que não estou falando do "país do futuro" ou de futuro como uma coisa tecnológica, robótica ou coisa parecida). Este futuro a que me refiro é o daqui a pouco, aquele que está ali na próxima curva da História, dependendo de nós mesmos a velocidade - a marcha engatada - com que entraremos nela. Mas, vejamos os dados e ponderações seguintes:

O artigo 6º da Constituição de 88, no que diz respeito aos Direitos Sociais tem a seguinte redação:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Esta redação assim foi expressa pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010  (incluiu alimentação).

O artigo 215, por sua vez, diz que O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. Ao definir patrimônio cultural brasileiro, de forma indireta, a Constituição aponta como direitos culturais as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver, as criações científicas, artísticas e tecnológicas. O livre exercício dos cultos religiosos, a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, e os direitos do autor também estão expressamente assegurados na Constituição, no rol dos direitos e garantias fundamentais (art. 5º).

A Educação por sua vez figura como Direito Cultural (ver artigos de 205 a 214) sendo expressamente garantido o  acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um o que significa a garantia de alfabetização para as artes e educação para a prática artística, que tenho citado como os principais entraves para o consumo da chamada Cultura erudita, somado à falta de acesso a programas específicos de formação.
 
Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos. Estão indicados no artigo 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), e nos artigos 13 e 15 do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966).
 
Assim, todas as pessoas devem poder se exprimir, criar e difundir seus trabalhos no idioma de sua preferência e, em particular, na língua materna; todas as pessoas têm o direito a uma educação e uma formação de qualidade que respeitem plenamente a sua identidade cultural; todas as pessoas devem poder participar da vida cultural de sua escolha e exercer suas próprias práticas culturais, desfrutar o progresso científico e suas aplicações, beneficiar-se da proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de toda a produção científica, literária ou artística de que sejam autoras.
 
Em 1988, é assinado o protocolo de São Salvador (Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre os Direitos Humanos) sendo franqueados os Direitos Culturais. Em novembro de 2001, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural é adotada pela UNESCO. Podemos lembrar ainda Genebra em 2003 e a Plataforma de Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais de 2004, na cidade de Recife.

É recente, portanto, constar da agenda dos países desenvolvidos a proteção ao Meio Ambiente e a inserção dos Direitos Culturais como Direitos Humanos Universais.

Os Direitos Culturais relacionam-se à especificidades culturais de cada indivíduo ou comunidade, sendo-lhe (s) garantido o direito de manifestação plural dos seus interesses.

A abrangência deste tema relaciona-se diretamente com o que acabamos de presenciar no nosso cenário político. Até poucos dias, não se daria crédito a quem disse que Meio Ambiente seria um aspecto decisivo para a existência de um segundo turno nas eleições brasileiras. Mesmo porque, pesquisas (IBGE) indicam que Cultura, Meio Ambiente e Taxa de Juros estão entre os assuntos que menos interessam aos brasileiros.

No entanto, em linha com o que venho dizendo aqui reiteradas vezes, Sustentabilidade Ambiental e Cultura são questões extremamente presentes na Sociedade Brasileira de um modo ou de outro.

Mesmo que muita gente insista em não considerá-las como necessidades primárias comparando Cultura e Sustentabilidade Ambiental às profundas desigualdades, ao perverso cenário de desenvolvimento com juros extratosféricos, à ainda má distribuição de renda, aos déficits em saúde, educação, habitação etc. na ponta, para o cidadão não é bem assim. 

Considerando que os discursos comuns dos candidatos já assegura uma razoável continuidade de melhorias, na medida em que o individuo se propõe a decidir caminhos, a fazer escolhas sobre o melhor cenário para sua sobrevivência e de seus filhos, Meio Ambiente e Cultura, quando apresentados com qualidade, são fortes fatores de motivação.

Exemplos disto são a forte presença de pessoas de todas as classes sociais nos concertos sinfônicos, a opção por espetáculos de boa qualidade e o consumo de bens culturais diversos quando lhes é dada a possibilidade de acesso.


A nítida força da candidata Marina Silva apareceu no que se chamou a onda verde, unindo o discurso da Sustentabilidade Ambiental e do Planejamento com visão de futuro. Duas questões intimamente ligadas.

Isto foi o suficiente para ajudar a mudar a realidade das eleições, ou pelo menos foi o diferencial sensível para a nova etapa.

Em minha opinião, é obrigatório que a Cultura componha a pauta para o segundo turno. Esta precisa se tornar uma questão de base, somando-se ao conjunto de idéias dos candidatos como o que de fato poderá indicar diferenças de posicionamento ( e de resultados) nos próximos dias.

Com avanços pontuais, a Cultura no Brasil tornou-se um buraco negro e exigirá soluções rápidas e objetivas do próximo Governo Federal. A produção cultural responde hoje por algo em torno de 6% do PIB. Visto desta maneira, estamos falando de um volume enorme de recursos. Este número torna-se conservador se lembramos que a atividade cultural no Brasil é esquálida, dependendo de um sistema de financiamento sem nenhum aperfeiçoamento sensível nos últimos 8 anos, com problemas nas diversas áreas, sem políticas e, em decorrência, sem programas que contemplem a generalidade do fazer cultura. Para não ser injusto, onde há resultado é muito pouco e, na área das artes eruditas, em particular da música e da ópera, não houve avanços - nada de relevo que de fato se possa considerar como atividade estruturante e pensada para o futuro.

Repito. Aí está um bom mote para o segundo turno. Respostas nesta matéria podem auxiliar efetivamente a qualificar os programas de interesse público.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (40)


Como já disse outras vezes, identifico três públicos para a Cultura (três financiadores): o espectador, as empresas e o governo (nas três esferas).

O eapectador ao pagar ingressos, comprar (baixar) música, objetos de arte, é um dos financiadores da Cultura. As empresas cumprem seu papel procurando devolver à comunidade o que obtem com a fidelização a produtos e serviços. Finalmente, os Governos ao franquearem os direitos de acesso à informação cultural seja através de aportes diretos vias fundos setoriais, incentivos fiscais e apoio ao empreendedorismo (financiamento de projetos com subsidios).

A ausência de investimento público ou de políticas públicas eficazes impedem que programas sejam criados e multiplicados e como numa espiral transversa tudo vem abaixo: as empresas (privadas) deixam de investir até por descrédito na atividade cultural; o público, sem acesso e, portanto, sem condições de entender a arte erudita, busca soluções de assimilação mais cômoda. Trata-se de uma sucessão de valores gradativamente destruidos quando governos são fracos e não investem recursos em programas estruturantes, com políticas de interesse geral para os vários segmentos da arte. Os problemas de gestão com a Lei Rouanet criados em 6 anos de gestão controversa, são um exemplo concreto disto.

Não se trata apenas de inaptidão de governos, mas muitas vezes a orientação política, a visão de cultura dos gestores, entre outros aspectos, produzem aberrações. Lembremos dos livros queimados durante o regime nazista, ou os instrumentos ocidentais (como se dizia) destruídos na China Vermelha de Mao. Aquelas didaturas tinham medo da cultura plural, do conhecimento e, ao mesmo tempo, cultivavam valores impostos como regra.

Se estamos distantes deste passado, felizmente, mas ainda temos graves problemas de gestão em outros níveis, o que nos assegura um futuro próspero para a atividade cultural?

Insisto sempre que solução está no fortalecimento do caráter associativo, a busca insessante de formar opinião, de gerar indagações, identificar possíveis aliados políticos, apoiadores empresariais e desenvolver mecanismos de aproximação com novas platéias, provocando-as com o caráter modificador da arte.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (38)

Aqualoucos

Hoje, 22 de Setembro, é o dia do Rio Tietê. Ratifica-se o esforço contínuo de mais de 20 anos para se conseguir limpar o rio. Em Barra Bonita, a menos de 100 km de São Paulo, já é possivel pescar no Tietê.

Você já experimentou parar numa das marginais, ou numa das pontes e observar o rio? É uma massa compacta, vigorosa, forte, avançando lentamente. Sem qualquer esforço vemos centenas, milhares, milhões de garrafas pet, objetos e pedaços de plástico, lixo, lixo puro flutuando. A sociedade irresponsável descarta seus apendices sem o menor pudor e sem a menor consequência.

O que nos interessa hoje é o olhar que se entristece ao perceber o quanto faz mal o descarte irresponsável e o quanto é necessário o investimento na infraestrutura de esgoto, recolhimento de lixo. Os outros olhares, estes, pobres, merecem respeito, claro. Merecem também atenção. São a eles que precisamos dirigir nossas forças.

A atividade cultural é completa e complexa em si mesma. É modificadora ao ter condições de se aliar aos interesses coletivos e tornar-se irradiadora da boa nova.

A capacidade de perceber o que acontece à volta é parte de um processo de compreensão da própria vida. Alguns individuos podem ser capazes de perceber o que acontece na sua casa, por analogia no seu emprego, por extrapolação nos núcleos familiares próximos e semelhantes. Podem expressar seus desejos e expectativas e até traduzir desejos coletivos. Mas, jamais, serão capazes de surpreender com perspectivas universais, pela sensibilidade extremada. Serão capazes de chorar, sem dúvida, mas só se lembrarão da crueldade, injustiça, quando forem expostos a ela. Jamais se lembrarão disto todos os dias, refletirão expontaneamente a respeito, permanecendo incapazes de falar para os seus pares, de propor - mesmo para si - soluções. A maioria desdes individuos têm carater dúbio, deixam-se levar por conveniências pessoais, por posturas egocêntricas, não havendo mudanças possíveis que não pela educação e alfabetização para as artes.

A Cultura é soberana e formadora do caráter. De certo modo é como um rio. Pode produzir muito, enriquecer as cidades que se ergueram exatamente à volta dos rios por enxergarem ali as possibilidade de sobrevivência.

Mas a Cultura é também dependente. Da mesma sociedade que deixa de lado sua fonte de riquezas, de saúde, de perenidade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (24)


Vivendo e aprendendo. Frase feita é fato, mas cabe como uma luva (ops!) na referência que apresento.
Você sabia (é hoje!) que existe uma Federação Paulista de Tiro Prático?

A expressão Tiro Prático para mim é nova. Trata-se do nome que se dá à prática de tiro com armas de diferentes tamanhos tendo um alvo fixo ou móvel como objetivo. No Tiro Prático, o atleta, deve misturar precisão, potência e velocidade, dentro de uma combinação vencedora. Os alvos têm 75 centímetros por 45 centímetros com um centro de 15 centímetros. A maioria das competições acontecem em estandes de tiro próximos dos grandes centros, onde disparos a mais de 45 metros são raros. Acertar um alvo de 15 centímetros a 45 metros ou menos parece fácil a um atirador experiente, porém há um fator de potência mínimo que cria dificuldades para os atletas, aumentando a força do recuo da arma.

A modalidade é praticada em várias cidades do Estado de São Paulo (e brasileiras), inclusive em Garça, uma cidade a pouco mais de 400 km da capital e com cerca de 45.000 habitantes.

Garça possui um Tênis Club que leva o nome da cidade e onde se pratica o Tiro Prático.

O municipio de Garça surgiu na segunda década do século 20 ainda como distrito de Campos Novos. O nome foi uma herança da quantidade de garças que havia num dos ribeirões da região. Garça tornou-se conhecida pela produção de café. A cidade por divergências entre os fundadores foi dividida em dois núcleos: Labienópolis (onde se instalou Labieno Costa Machado) e Ferrarópolis (de Carlos Ferrari).

O Garça Tênis Club é muito ativo na cidade. Fica em Labienópolis. Claro, na Rua Carlos Gomes, 77.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Viva a Ópera (3)

Orquestra Jovem se aperta em Campinas

Hoje fui brindado com um e-mail que me cobrou a ausência de qualquer menção à Comemoração da morte de Carlos Gomes em 16 de setembro de 1896.

Para os mais atentos, ontem excepcionalmente publiquei um "Carlos Gomes no Mapa do Brasil", uma maneira, sem apologias, de recordar o compositor.

Acho que publicar semanalmente (sempre que possível) uma referência a Gomes é uma forma de incluí-lo no cotidiano daqueles que se dão o trabalho de ler este blog.

Pois muito bem. Carlos Gomes morreu em 16 de Setembro. Faz-se muito pouco por sua memória no Brasil, muito embora esteja claro que Gomes é parte da nossa história, está mencionado em praticamente todas as cidades brasileiras que lhe dedicam ruas, praças, avenidas, vilas, sem contar a infinidade de nomes de restaurantes, bares, lojas de armarinhos, lanchonetes. Muitas vezes sequer se sabe na vizinhança quem é o homenageado ilustre, mas isto é difusão, educação que irá corrigir.

Em se falando em homenagem, por enquanto, o que se vê - não excluindo a boa intenção do grupo - é a Orquestra Jovem se apertando entre o monumento-túmulo em Campinas e uma feirinha popular, com meia dúzia de gatos pingados assistindo.

Já há maturidade suficiente no Brasil para se acabar de vez com a máxima "melhor isto do que nada", ou "para Campinas isto está bom".

Acho que dá para entender porque fui discreto ontem e - como diz o Sebastião Teixeira - estou me segurando hoje. A ópera para ser vivida, às vezes precisa de estômago.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (23)

Soldados índios de Mogi das Cruzes
de Jean Baptiste Debret

Mogi das Cruzes possui mais de 370 mil habitantes e nasceu de um povoado - pouso de bandeirantes como Bras Cubas que dá nome a uma das Faculdades locais, onde dei aulas já faz muito tempo.

No largo do Carmo em Mogi das Cruzes, você está no Centro Histórico da cidade onde fica o Theatro Vazques onde ontem apresentamos Carmen - a ópera contada e cantada, espetáculo baseado na ópera homônima de Geoges Bizet. Teatro lotado e aplausos efusivos ao final. Muito bom. Dever cumprido.

Ali perto, no Mogi Moderno, como dizem na cidade, você encontra facilmente a Rua Carlos Gomes.

Não fotografei, nem fui à rua. Falha imperdoável. Por isto, postei hoje como mea culpa. Na quinta e não terça como de hábito.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (35)


Se intolerância é uma atitude inadequada para quem se pretende equilibrado, conformismo é abominável.

Infelizmente, algumas coisas no atual cenário politico-eleitoral nos conduzem à mais tosca intolerância ou ao desprezível conformismo.

Não dá para ficar de bom humor com o que somos obrigados a ver e ouvir, tendo nossos olhos e ouvidos reduzidos a meros receptáculos passivos.

Continuamos sem obter respostas no dia-a-dia para as questões estruturais na área da música erudita e da ópera enquanto nas campanhas políticas nenhuma vez a palavra Cultura é mencionada, passando aos eleitores - à nação - o claro descaso e sistemático abandondo a que são submetidos os milhares de profissionais da área em todo o país, sem mencionar o descalabro de não se reconhecer a atividade cultural como uma questão de direito implicito nos mais elementares conceitos de Cidadania.

Por mais que se tenha clareza da importãncia das atividades criativas e do que representa a Economia da Cultura no Brasil, muito poucos foram os resultados concretos sobre as formas de financiamento da atividade cultural, seja no plano dos incentivos, do FNC ou mesmo empreendedorismo sustentado.

Urge corrigir isto. Há uma forte expectativa do setor para resultados e espera-se respostas concrtetas do Ministério ainda nesta gestão.

Entretanto, para o futuro, não temos concretamente como avaliar qual o melhor programa ou candidato a atender as necessidades da área. Certamente nos estados, cada um consegue ter uma visão de continuidade ou pelo menos uma referência do que será o futuro com esta ou aquela candidatura. Mas, não deixa de ser uma opinião pessoal. No plano federal, a angústia é crescente pela total ausência de sinalização do que pretendem os postulantes.

Mais uma vez, nos preparamos para, qualquer que seja o novo governo, iniciarmos o longo e desgastante debate sobre idéias e possibilidades. Pelo visto até aqui, não há futuro tangível para os próximos anos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (34)

O falso espelho - 1928
René Magritte

Fato: não há ídolos no canto lírico no Brasil

Não há cantores que arrebatem multidões, nomes que as pessoas queiram ouvir em casa e que lotem teatros. Infelizmente não temos isto no Brasil.

Tudo indica que o Brasil está mudando. Ontem mesmo conversa com uma jovem jornalista que disse “tenho a impressão que alguma coisa está diferente, pois ao que parece, as pessoas estão valorizando mais a música erudita, o canto”. Esta impressão pessoal, não é distante do que tenho ouvido em vários lugares.

Há um dado novo. Nos últimos 16 anos, o país sofreu profundas alterações, maior integração através da comunicação global, a telefonia celular influenciando largamente os comportamentos, a abordagem tecnológica e, como consequência disto, maior perspectiva de escolha de entretenimento associado à formação do individuo.

É natural que todo o investimento em Educação, amplie a capacidade de indagar dos novos cidadãos (é isto mesmo tá? Novos cidadãos como uma provocaçãozinha particular). Melhorando o conceito, quanto maior a franquia de direitos, maior a aproximação do individuo comum dos processos artísticos que lhe exigem maior alfabetização para a arte.

Assim, volto a insistir, é o momento dos nossos cantores – de resto todos os profissionais da área da Cultura – repensarem seus projetos.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Carlos Gomes no mapa do Brasil (20)

A Eterna Primavera
Auguste Rodin

Nascido em Curitiba, João Batista Vilanova Artigas é um arquiteto Brasileiro cuja obra integra o movimento arquitetônico conhecido como Escola Paulista. 

Artigas formou-se pela Escola Politécnica e veio a participar do grupo Santa Helena formado por artistas de vanguarda, tendo o pintor Alfredo Volpi como um dos seus principais representantes.

Nesta época de Copas do Mundo em que se discute a construção ou não de novo estádio na Cidade de São Paulo, é bom lembrar que Vilanova Artigas é quem projetou o Estádio do Morumbi, um dos exemplares da arquitetura moderna no Brasil.

Vilanova Artigas, ratificando sua origem Paranaense, projetou o edifício da antiga Rodoviária de Londrina inaugurado em 1952 e utilizado como terminal até 1988.

A Rodoviária ganhou um projeto novo de outro arquiteto Brasileiro: Oscar Niemeyer. E o antigo edificio transformou-se no Museu de Arte de Londrina, para cuja abertura em 1993 foi exposta A Eterna Primavera, escultura de Auguste Rodin que ilustra este post.

O Museu de Arte de Londrina, fica na Rua Sergipe, pertinho da Avenida Carlos Gomes, praticamente no centro da bela cidade.

Está perto da Avenida, mas longe da Praça Carlos Gomes, outro logradouro que relembra o compositor e que fica ao sul seguindo pela PR 445 - no trecho em que se denomina Rodovia Celso Garcia Cid. Nada que um bom GPS não localize com facilidade.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (29)

Lola de Valence, 1948
por René Magritte

Uma obra esgotada pode ser reproduzida em cópia reprográfica e utilizada em sala de aula? Cantar Parabéns para Você numa festa na sua casa o obriga a pagar direito autoral? Cineclube pode reproduzir dvd de ópera sem pagar direitos? Posso usar esta versão digital do quadro acima?

Até o próximo dia 28, o projeto de Lei do Direito Autoral e sua reforma pelo Ministério da Cultura ficam sob consulta pública.

Para quem é atingido diretamente pela lei ou para quem busca um nível de informação maior, vale a pena uma olhada atenta no site http://www.reformadireitoautoral.org/.

É um bom começo.

sábado, 10 de julho de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (28)

La Vie - 1903
Pablo Picasso
A Nota de Rodapé de ontem acabou refletindo em vários e-mails, comentários. Deixou de ser uma nota. Passa a ser um Dilema a partir de um diálogo que se estabeleceu com a Marli Sant Anna e o Silvio Moréia.

Quando a vida é banalizada não há como ficarmos alheios. Como fazer, ou melhor, o que podemos fazer?
Nós trabalhamos com o que há de mais precioso para a humanidade que é a livre expressão do pensamento. Temos que incorporar de alguma forma estes alertas e fazer ecoar de alguma maneira.

A Cultura é redentora da Humanidade. Redentora no sentido mais amplo: a Arte é o caminho para salvar e resgatar. É a voz.

Façamos um raciocínio simples. A Arte é a expressão pura do Belo e da Verdade. Ora, se o Belo e a Verdade são representações da Divindade, a Arte é o instrumento que aproxima a Humanidade do Divino.

A violência, o desprezo pela Vida, os extremos e radicalismos, a piada barata do descaso transformada em mote até por nossos representantes na política - aqueles que deveriam preservar a ética, a moralidade - tudo isto precisa ser negado com veemência. Precisamos assumir posições claras. Nós artistas temos que defender a Vida, o equilibrio, o Bem estar, o aprendizado.

Disse ontem que Tem dia que a Humanidade piora. A Humanidade está piorando todo dia. Isto não está certo.

Vamos abrir a boca. Vamos usar a força que temos. Em cada espetáculo, em cada apresentação, precisamos dizer que não queremos mais isto e que através da Cultura damos nossa contribuição.

Através da arte, fazemos nossa parte.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dilemas Contemporâneos da Cultura (26)

Os Mutantes

O ato de escrever é compulsivo quando você toma gosto e os blogs são um exercício muito pertinente se você precisa de algum controle. Twitter de terceira ou sexta hora, até agora não consegui estabelecer uma relação cordial com o veículo a não ser para divulgar este blog, numa insistente metalinguagem, ou algumas twitadas do tipo twitkay (ok... inventei esta. Minha versão twitter do hay kay) ou uns microcontos (mania que peguei desde que mandei o primeiro para a ABL).

Aí está mais um dilema.

Já há muito a informação deixou de ser um arquivo, um file, uma library para se tornar uma nuvem incontrolável e em geométrica expansão. Isto mesmo: uma nuvem meteorológicamente imprecisa e supostamente imprevisível.

Se a Cultura sofria por falta de modelos e os processos de decisão estiveram por muito tempo influenciados por vetores políticos (nos governos e nas empresas patrocinadoras) ou por afinidade pessoal do gestor, agora as questões se sofisticam ainda mais.

Peguemos a música, por exemplo. Há algum tempo as gravadoras exerciam o papel seletivo oferecendo ao público aquilo que para elas constituia o chamado "produto de interesse comercial e adequado a determinado mercado". Este modelo acabou. O "mercado" - sabe-se lá quem é ele - determina o que deseja ouvir, o quanto, como, onde e o quanto vale a música produzida por este ou aquele cantor.

Quando trabalhei na Continental, detentora do selo Chantecler entre outros, lembro-me que foram várias as duplas sertanejas desejosas de um disco novo, pois isto ajudava a vender shows. Era prática corrente e óbvia que cantor sertanejo sem disco não "cantava" no rádio, e sem rádio não fazia show. Simples? Uma espécie de motocontínuo em que o disco, levava ao rádio, que levava ao show, que vendia disco.

A grosso modo, a música sobrevive (rá) de nichos em expansão. Do garoto que baixa, que ouve, que vai ao show, que conta e uma provável imensa rede possivel em torno de uma produção que dinossauros como eu preferem não imaginar, mas deixar que as idéias corram e fluam pelo prazer desta viagem interminável da criatividade humana.

A imagem do "garoto que baixa", longe de ser preconceituosa ou delimitadora, é só uma visão pueril de como se dão estes novos mecanismos que obriga a todos transitarem nestes novos formatos com a desenvoltura da descoberta, como se todos fossemos jovens em fase de alfabetização. E não é isto mesmo? Não estamos todos aprendendo a trabalhar com tecnologias antes somente pensáveis nas páginas de Flash Gordon de Alex Raymond?

Voltarei ao tema.