sábado, 19 de março de 2011

Nota de Rodapé (15)

Ensaio de Orquestra
Federico Fellini 

Recomendo a leitura do texto do Leonardo Martinelli no site da revista Concerto sobre a crise da OSB. 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Nota de Rodapé (14)

Urânia e Calíope
por Simon Vouet

Hoje foi publicado no Cultura e Mercado texto em que comento a recente polêmica acerca do blog da Maria Bethânia.


Dilemas Contemporâneos da Cultura (63)

charge por João Montanaro
publicada no Jornal A Folha de São Paulo 12/03/2011

Republicada hoje na capa da Ilustrada  (Jornal Folha de São Paulo) a charge do jovem cartunista João Montanaro(14 anos) ganhou destaque por provocar reações insólitas.

Originalmente, a charge foi publicada na edição de sábado (12/3) e recebeu várias queixas dos leitores. O garoto chegou a ser chamado de "babaca" por colegas da escola onde estuda. 

Montanaro desenhou uma onda enorme carregando destroços de uma cidade. Reproduziu aquilo que à exaustão os canais de televisão, You Tube e outros endereços exibem. Porém teve um cuidado: seu desenho só não é um rabisco qualquer porque, de forma inteligente, copiou uma xilogravura de Katsuchika Hokusai cujo título original em tradução livre seria algo como A concavidade do abismo - Onda do Mar de Kanagawa. Nada mais simbólico para o que ocorre no Japão.

Não satisfeito entretanto, Montanaro põe um título:  Xilogravuras japonesas - A onda, um lembrete aos desavisados.

Isto não bastou. Mesmo assim, a leitura rasa prevaleceu. Redundam as críticas raivosas, ignorantes, com ódio.

Precisamos rapidamente criar mecanismos para reduzir o analfabetismo funcional - aquele em que o indivíduo lê sem a capacidade de discernir e criticar com solidez de argumentos o que está lendo, e, ao mesmo tempo, ampliar a alfabetização para as artes.

Tema grave. Dia destes vão processar o rapaz por plágio. 


quarta-feira, 16 de março de 2011

Dilemas Contemporâneos da Cultura (62)


À recente polêmica envolvendo a OSB juntam-se várias opiniões e artigos.

Trata-se de uma situação delicada, sujeita a vários pontos de vista, não se tratando apenas da observação de direitos e deveres, do poder de mando, ou da discussão do que cabe no modelo privado da Fundação.

A névoa das audições - é só uma névoa - está em primeiro plano, porque o estabelecimento de critérios e formas de avaliação é muito mais difícil do que parece. A essência desta discussão está nas relações de trabalho, do trabalho artístico, mas mais do que isto, concentra-se no novo modelo, em que as relações de poder mudaram radicalmente.

Já há algum tempo venho sinalizando aqui a necessidade de novos protocolos para a gestão na Cultura. Inevitavelmente, as orquestras brasileiras deverão passar por estas mudanças. 
Afinal, estamos tratando de uma necessidade premente de valorizar os profissionais da área cultural e isto exige a adoção de novos mecanismos. Vejam bem: necessidade de valorizar os profissionais e não o contrário. Neste entendimento, trata-se de estabelecer novos modus operandi que permitam melhor definição dos níveis de qualidade, dos objetivos de curto, médio e longo prazo, processos negociados de estabelecimento de metas.

Para alguns pode parecer uma posição conservadora, mas não vejo outra saída que não a negociação entre as partes. A construção do processo a partir do diálogo é mais difícil, exaustivo, demorado até, mas é o que consolida.

Tudo funcionará bem se os dois lados perderem o suficiente.

Parece uma afirmação insólita? Pode ser, mas observe à sua volta: o que de duradouro existe que não tenha sido através de um longo amadurecimento? Você verá que é tudo assim. Mesmo quando se trata de uma nova ferramenta de internet, por exemplo, sua consolidação se dá ao longo do tempo e a partir do esforço de muita gente. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dilemas Contemporâneos da Cultura (61)


Conversava hoje com o administrador de um teatro numa das belas e interessantes cidades no interior do Estado de São Paulo. 


"Um dos problemas mais graves que temos - disse ele - é quando certas "estrelas" do teatro se apresentam aqui. Alguns entram no teatro e se portam como donos, impedem a circulação dos nossos profissionais, assumem o controle e não podemos fazer nada porque é um problema da pauta, é um nome importante".


Comentei com ele que esta é uma questão inadmissível e é uma questão de conceito. 


O teatro (os teatros) público está a serviço da comunidade na medida em que facilita o acesso à informação cultural. Ao mesmo tempo, está também a serviço dos artistas que o utilizam e para tal, precisa cumprir uma série de requisitos (instalações, limpeza, gestão etc.). 


Mas está a serviço e não servil a nenhuma das partes. Tanto a comunidade quanto os artistas têm o equipamento a seu dispor dentro de determinadas regras.


Cabe ao público comparecer, pagar ou não seus ingressos, utilizar adequadamente as instalações, obedecer às normas de segurança e preservação do espaço etc. Ao mesmo tempo, ao artista cumprir com suas obrigações contratuais, garantir a obediência as normas de segurança e regras de utilização etc. E ao teatro fazer com tanto um quanto o outro sejam satisfeitos nas suas demandas específicas, sempre levando em conta que a preservação deste bem público é condição de todo o processo. 


Não parece simples? Pois é. Precisa ser simples. 

(obs.: imagem www.omais.com)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dilemas Contemporâneos da Cultura (60)

Maske
Escultura em casca de ovo de Alexander Volk (*)

Nada mais natural do que não gostar de alguma coisa que se vê: de um filme, um espetáculo, uma exposição. 
Mas como dizer "não gostei" para algo que críticos, amigos, disseram que é "muito bom"?
Este é um dos dilemas mais complexos. 
Um cantor "brega" vira cult se chamado a participar do show de uma estrela da MPB. Não é assim que história tem apresentado?
O fenômeno "não sei se posso gostar" não é recente. De um modo geral, são os chamados formadores de opinião que indicam o que é o bom da vez e as pessoas assimilam isto com relativa facilidade. Antes eram as gravadoras que diziam o que era bom em cada segmento da música. Hoje, com a multiplicidade de canais de difusão, os novos modelos de produção, o que é bom é determinado pelas redes. 
Mesmo nestes casos, as pessoas ainda não sabem dizer se "podem" gostar disto ou daquilo. Só o fazem depois de se certificarem que suas referências também gostaram. 
O que não deixa de ser um fenômeno engraçado, já que a possibilidade de escolha é uma direito individual transferido para o coletivo e não o inverso.
O 'não sei se posso gostar" está associado também a certa malícia. Muitas pessoas, por não quererem se expor frente aos seus grupos, preferem não omitir qualquer opinião até que tenham a certeza de que não serão diminuidas junto a seus pares. Nestes casos, o direito de opinião, não é respeitado ao pé da letra. 
O que fazer?
Não se deixar enganar por estas falsas perspectivas coletivas, perceber o jogo de poder reduzido (isto mesmo: reduzido) a este contexto e deixar-se levar por suas próprias emoções.
Se, junto com isto, os "em dúvida" resolverem ler mais, se informar mais, ficará mais fácil rir com vontade, chorar de felicidade. 




(*) Escultura em ovo é "brega", kitsch? E daí? Gostei.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carlos Gomes no Mapa do Brasil (34)

Sombra da cruz sobre a lua cheia na igreja católica 
Sagrado Coração na cidade de Klamath Falls em Oregon, Estados Unidos


Santo Abílio  foi bispo de Alexandria no Egito, sucedendo ao apóstolo São Marcos e ao bispo Anianus. O historiador Euzébio registra que Abilius foi bispo por volta de 84 d.C.


Santo Abílio tornou-se santo por resistir à tortura. Por não renegar sua fé cristã, foi condenado ao martírio. Temos difíceis aqueles.


A tortura era feita para que o cristão concordasse em renegar publicamente a sua fé e a oferecer sacrifícios aos deuses romanos e as vezes eram feitas as escondidas em calabouços. Em geral as torturas eram suplícios terríveis, mas feitas de modo a não matar o torturado, e se ele cedesse era libertado e retornava para casa. 

Segundo os martirologistas, somente uma pessoa santa e fé inabalável, poderia resistir ao martírio. Por isto os mártires da época com “Atos de Martírio” autênticos, são considerados santos sem passar todo o longo processo de beatificação e canonização.

A celebração de Santo Abílio é feita neste dia 22 de Fevereiro. 

Nesta mesma data, Santa Margarida de Cortona é também relembrada. Nasceu em Laviano na Toscana, mas foi em Cortona onde viveu e veio a morrer. Por inúmeros pecados, Santa Margarida passou 22 anos em penitência. Sua história termina quando morre aos 48 anos (22/02/1297), sendo enterrada na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco onde até hoje seu corpo está intacto. Margarida de Cortona foi incluída no Catálogo dos Santos em 1728 pelo papa Bento XIII. 


Tanto são Santo Abílio quanto Santa Margarida são nomes de rua em São Paulo, na Zona Norte e perto da Rua Carlos Gomes no Tucuruvi. 


Já São Maximiano - também relembrado no dia 22 de fevereiro - é também nome de rua, mas fica longe, do outro lado do rio Tietê, na Água Rasa. 


São Lineu, outro santo comemorado no mesmo dia, não tem nome de rua em São Paulo.